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Sábado, Abril 16, 2005





Voltei!!!
Hoje, amanheci em Brasília, praticamente.
Ontem, evento legal!! Valeu a torcida.
Revi amigos, fiz novos, curti Campinas.
Cansada? Um pouco...
Mas, hoje é dia de pernas de fora!
Carpe Diem
A gente se fala!

Postado por þérolå, em 12:17 PM
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VIVO

Precário, provisório, perecível,
Falível, transitório, transitivo,
Efêmero, fugaz e passageiro:

Eis aqui um vivo.

Impuro, imperfeito, impermanente,
Incerto, incompleto, inconstante,
Instável, variável, defectivo:

Eis aqui um vivo.

E apesar -
Do tráfico, do tráfego equívoco,
Do tóxico do trânsito nocivo;
Da droga do indigesto digestivo;
Do câncer vir do cerne do ser vivo;
Da mente, o mal do ente coletivo;
Do sangue, o mal do soro positivo;
E apesar dessas e outras,
O vivo afirma, firme, afirmativo:
"O que mais vale a pena é estar vivo"

Não feito, não perfeito, não completo,
Não satisfeito nunca, não contente,
Não acabado, não definitivo:

Eis aqui um vivo.
Eis-me aqui!


Lenine

Postado por þérolå, em 12:12 PM
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Postado por þérolå, em 12:08 PM
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Foto: Fernando Natalici


Foto: Hélio Graça


Foto: Luiz André Mendonça Bezerra

Postado por þérolå, em 12:06 PM
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Postado por þérolå, em 12:01 PM
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Ficha Técnica
Título Original
: The Manchurian Candidate
Gênero: Suspense
Tempo de Duração: 130 minutos
Ano de Lançamento (EUA): 2004
Site Oficial: www.manchuriancandidate.com
Estúdio: Paramount Pictures / Clinica Estetico Ltd.
Distribuição: Paramount Pictures / UIP
Direção: Jonathan Demme
Roteiro: Daniel Pyne e Dean Georgaris, baseado em livro de Richard Condon
Produção: Jonathan Demme, Ilona Herzberg, Scott Rudin e Tina Sinatra
Música: Rachel Portman
Fotografia: Tak Fujimoto
Desenho de Produção: Kristi Zea
Direção de Arte: Teresa Carriker-Thayer
Figurino: Albert Wolsky
Edição: Carol Littleton e Craig McKay

Elenco
Denzel Washington (Ben Marco)
Meryl Streep (Eleanor Shaw)
Liev Schreiber (Raymond Shaw)
Jeffrey Wright (Al Melvin)
Kimberly Elise (Rosie)
Jon Voight (Senador Thomas Jordan)
Ted Levine (Coronel Howard)
Miguel Ferrer (Coronel Garret)
Bruno Ganz (Delp)
Tom Stechschulte (Robert Arthur)
Pablo Schreiber (Eddie Ingram)
Anthony Mackie (Robert Baker)
Dorian Missick (Owens)
Jose Pablo Cantillo (Villalobos)
Teddy Dunn (Wilson)
Joaquin Perez-Campbell (Atkins)
Adam LeFevre (Congressista Healy)
Ann Dowd (Congressista Becket)
Obba Babatundé (Senador Wells)
Simon McBurney (Atticus Noyle)
Charles Napier (General Sloan)
Robert W. Castle (General Wilson)
Dean Stockwell (Mark Whiting)

Sinopse
Ben Marco (Denzel Washington) é um soldado que, em meio a Guerra do Golfo, é sequestrado pelo inimigo, juntamente com sua tropa. Alguns anos depois, já em sua casa, Ben começa a se lembrar do processo de lavagem cerebral pelo qual passou enquanto esteve preso, que fazia com que obedecesse ordens sem contestá-las. Com um de seus companheiros de tropa, Raymond Shaw (Liev Schreiber), agora concorrendo a um cargo na vida política do país, Ben tenta entrar em contato com ele, temendo que ele esteja sendo controlado neste exato momento.



Meus Comentários:
Dificilmente um filme com o Denzel Washington é ruim. Eu o considero um dos melhores atores da atualidade, do time que só se compromete com filmes de alto nível. Neste, não poderia ser diferente. A história é muito interessante e o roteiro desenvolveu-se muito bem, além das interpretações ótimas de Meryl Streep (Eleanor Shaw) e Liev Schreiber (Raymond Shaw).
Com bastante suspense, o filme prende a atenção do início ao fim. Vale conferir!
Tem trailler aí do lado!!

Postado por þérolå, em 12:00 PM
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Quarta-feira, Abril 13, 2005



Malinha pronta, lá vou eu pra Campinas...
Mais um evento pra encarar... com cerimonial e tudo, desta vez.
Torçam por mim!
No sábado, tô de volta.
Carpe Diem
A gente se fala!

Postado por þérolå, em 4:40 PM
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Postado por þérolå, em 4:38 PM
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Jovem encomendou morte do pai em ritual de magia negra

BRASÍLIA - Daniele Almeida de Barcelos Vásquez, de 20 anos, foi indiciada nesta terça-feira pelo delegado João Carlos Lóscio, da 4ª Delegacia Policial do Guará, cidade-satélite do Distrito Federal, como autora intelectual do assassinato de seu pai, José Eduardo Vásquez, que morreu no último domingo após levar dois tiros. Ela confessou em seu depoimento que encomendou a morte de Eduardo a um pai-de-santo em sessões de umbanda. Daniele acusou o médium José Carlos de Oliveira de ter feito os disparos. Os dois estão presos. Daniele foi detida em flagrante no apartamento onde morava com o companheiro Alexandre de Deus. José Carlos está preso, mas devido a uma condenação por estelionato. Ele teria passado adiante um cheque roubado no valor de R$ 200.

O delegado fez uma acareação com sete pessoas, entre os acusados e seus parentes. Segundo ele, há muitas contradições nos depoimentos. Uma das testemunhas, Francisco de Assis, vizinho da viúva, Cleusa Vásquez, disse que certa vez foi procurado por ela, que teria oferecido R$ 100 para que ele matasse matar seu marido. Ela negou. Cleusa, que estava na casa quando o marido foi morto, acusou o médium José Carlos de ser o assassino. Apesar de ele estar encapuzado, ela disse que reconheceu sua voz.

Alexandre de Deus confirmou que a namorada Daniele não gostava do pai, mas disse que ela não planejava matá-lo.

- Ela tinha mágoa do pai, mas não tinha plano de matá-lo. Fez isso só no plano espiritual - disse Alexandre.

Segundo o delegado, a revelação mais importante da acareação é que a jovem, a mãe e o pai-de-santo José Carlos de Oliveira confirmaram a participação em rituais de magia negra para encomendar a morte de José Eduardo Vasquez.

As sessões de umbanda ocorriam sempre no apartamento de Daniele. Segundo o delegado, a mãe da jovem, que era separada do marido, participou de algumas dessas reuniões. Lóscio disse que, numa sessão no ano passado, as duas teriam pedido a uma entidade que baixou no médium que Eduardo morresse durante uma cirurgia de hérnia a que foi submetido.

- Conversei com a entidade que me garantiu que iria matar meu pai. Tinha muita mágoa dele, que me expulsou várias vezes de casa e nunca me dava dinheiro. Encomendei a morte dele, mas não fui eu quem executou. Foi o José Carlos (o pai-de-santo) - afirmou Daniele, sem demonstrar emoção.

Lóscio afirmou que o crime foi motivado por dinheiro. Daniele tinha conhecimento que o pai havia feito um seguro de vida no valor de R$ 300 mil e que tinha depositado na sua conta de FGTS cerca de R$ 130 mil.

Daniele já havia ameaçado matar o pai duas vezes. Ela não aceitava ser expulsa de casa. O convívio ficou insustentável depois que a filha roubou R$ 1 mil da conta do analista de sistemas e falsificou quatro cheques. José Eduardo chegou a proibir a mãe de Daniele de dar dinheiro a filha.

- Me arrependo muito. Porque pai é pai, né? - disse ela.

Segundo o delegado que investiga o caso, Daniele pode pegar de 14 a 35 anos de prisão.

12/04/2005 - 20h08m - Evandro Éboli - O Globo

Postado por þérolå, em 4:37 PM
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Terça-feira, Abril 12, 2005





Preciso arrumar minha malinha básica...
Amanhã, embarco à noite pra Campinas.
Muuuuito trabalho até à tarde, lá no escritório.
E no sábado estou de volta, se Deus quiser!
Quanto à você... Carpe Diem!
A gente se fala!

Postado por þérolå, em 8:53 PM
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Vi um anúncio de emprego. A vaga era de gestor de atendimento interno, nome que agora se dá à seção de serviços gerais. E a empresa contratante exigia que os eventuais interessados possuíssem - sem contar a formação superior - liderança, criatividade, energia, ambição, conhecimentos de informática, fluência em inglês e não bastasse tudo isso, ainda fossem hands on.

A abundância de candidatos está permitindo que as empresas levantem, cada vez mais, a altura da barra que o postulante terá de saltar para ser admitido. E muitos, de fato, saltam. E se empolgam. E aí vêm as agruras da superqualificação, que é uma espécie do lado avesso do efeito pitico... uma duríssima competição com outros candidatos tão bem preparados quanto ela, a Fabiana conseguisse ser admitida como gestora de atendimento interno. E um de seus primeiros clientes fosse o seu Borges, gerente da contabilidade.
- Fabiana, eu quero três cópias deste relatório.
- In a hurry!
- Saúde.
- Não, isso quer dizer "bem rapidinho". É que eu tenho fluência em inglês. Aliás, desculpe perguntar, mas por que a empresa exige fluência em inglês se aqui só se fala português?
- E eu sei lá? Dá para você tirar logo as cópias?
- O senhor não prefere que eu digitalize o relatório? Porque eu tenho profundos conhecimentos de informática.
- Não, não. Cópias normais mesmo.
- Certo. Mas eu não poderia deixar de mencionar minha criatividade. Eu já comecei a desenvolver um projeto pessoal visando eliminar 30% das cópias que tiramos.
- Fabiana, desse jeito não vai dar!
- E eu não sei? Preciso urgentemente de uma auxiliar.
- Como assim?
- É que eu sou líder, e não tenho ninguém para liderar. E considero isso um desperdício do meu potencial energético.
- Olha, neste momento, eu só preciso das três có...
- Com certeza. Mas antes vamos discutir meu futuro...
- Futuro? Que futuro?
- É que eu sou ambiciosa. Já faz dois dias que eu estou aqui e ainda não aconteceu nada.
- Fabiana, eu estou aqui há 18 anos e também não me aconteceu nada!
- Sei. Mas o senhor é hands on?
- Hã?
- Hands on. Mão na massa.
- Claro que sou!
- Então o senhor mesmo tira as cópias. E agora com licença que eu vou sair por aí explorando minhas potencialidades. Foi o que me prometeram quando eu fui contratada.

Então, o mercado de trabalho está ficando dividido em duas facções:

1 - Uma, cada vez maior, é a dos que não conseguem boas vagas porque não têm as qualificações requeridas.
2 - E o outro grupo, pequeno, mas crescente, é o dos que são admitidos porque possuem todas as competências exigidas nos anúncios, mas não poderão usar nem metade delas, porque, no fundo, a função não precisava delas.


Alguém ponderará - com justa razão - que a empresa está de olho no longo prazo: sendo portador de tantos talentos, o funcionário poderá ir sendo preparado para assumir responsabilidades cada vez maiores. Em uma empresa em que trabalhei, nós caímos nessa armadilha. Admitimos um montão de gente superqualificada. E as conversas ficaram de tão alto nível que um visitante desavisado que chegasse de repente confundiria nossa salinha do café com o auditório da Fundação Alfred Nobel. Pessoas superqualificadas não resolvem simples problemas! Um dia um grupo de marketing e finanças foi visitar uma de nossas fábricas e no meio da estrada, a van da empresa pifou. Como isso foi antes do advento do milagre do celular, o jeito era confiar no especialista, o Cleto, motorista da van. E aí todos descobriram que o Cleto falava inglês, tinha noções de informática e possuía energia e criatividade. Sem mencionar que estava fazendo pós-graduação. Só que não sabia nem abrir o capô.

Duas horas depois, quando o pessoal ainda estava tentando destrinchar o manual do proprietário, passou um sujeito de bicicleta. Para horror de todos, ele falava "nóis vai" e coisas do gênero. Mas, em 2 minutos, para espanto geral, botou a van para funcionar. Deram-lhe uns trocados, e ele foi embora feliz da vida. Aquele ciclista anônimo era o protótipo do funcionário para quem as empresas modernas torcem o nariz : O que é capaz de resolver, mas não de impressionar !!!

Max Gehringer - Colunista Revista EXAME

Postado por þérolå, em 8:50 PM
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Segunda-feira, Abril 11, 2005





Hoje, por incrível que possa parecer, o dia foi curto.
É que a semana será cheia demais e, daí,
nem deu tempo pra tudo o que precisava fazer!
Na quarta eu viajo, pra Campinas. Volto no sábado.
Daí, tenho que deixar tudo adiantado, porque na semana que vem é que
o bicho vai pegar, literalmente!!
Altos eventos na semana de 25 a 30 e trocentas coisas para providenciar!!
Mas, mesmo assim... a gente se fala!
Carpe Diem.

Postado por þérolå, em 7:19 PM
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Escrevo enquanto vejo a morte do Papa na TV. E me espanto com a imensa emoção mundial. Espanto-me também comigo mesmo: "Como eu estou sozinho!"? pensei.

Percebi que tinha de saber mais sobre mim, eu, sozinho, sem fé alguma, no meio desse oceano de pessoas rezando no Ocidente e Oriente. Meu pai, engenheiro e militar, me passou dois ensinamentos: ele era ateu e torcia pelo América Futebol Clube. Claro que segui seus passos. Fui América até os 12 anos, quando "virei casaca" para o Flamengo (mas até hoje tenho saudade da camisa vermelha, garibaldina, do time de João Cabral e Lamartine Babo) e parei de acreditar em Deus.

Sei que "de mortuis nihil nisi bonum" ("não se fala mal de morto"), mas devo confessar que nunca gostei desse Papa. Por quê? Não sei. É que sempre achei, nos meus traumas juvenis, que Papa era uma coisa meio inútil, pois só dava opiniões genéricas sobre a insânia do mundo, condenando a maldade - e pedindo uma "paz" impossível, no meio da sujeira política.

Quando João Paulo entrou, eu era jovem e implicava com tudo. Eu achava vigarice aquele negócio de fingir que ele falava todas as línguas. Que papo era esse do Papa? Lendo frases escritas em partituras fonéticas... Quando ele começou a beijar o chão dos países visitados, impliquei mais ainda. Que demagogia! - reinando na corte do Vaticano e bancando o humilde...

Um dia, o Papa foi alvejado no meio da Praça de São Pedro, por aquele maluco islâmico, prenúncio dos tempos atuais. Eu tenho a teoria de que aquele tiro, aquela bala terrorista despertou-o para a realidade do mundo. E o Papa sentiu no corpo a desgraça política do tempo. Acho que a bala mudou o Papa. Mas fiquei irritadíssimo quando ele, depois de curado, foi à prisão "perdoar" o cara que quis matá-lo. Não gostei de sua "infinita bondade" com um canalha boçal. Achei falso seu perdão que, na verdade, humilhava o terrorista babaca, como uma vingança doce.

E fui por aí, observando esse Papa sem muita atenção. É tão fácil desprezar alguém, ideologicamente... Quando vi que ele era "reacionário" em questões como camisinha, pílula e contra os arroubos da Igreja da Libertação, aí não pensei mais nele...Tive apenas uma admiração passageira por sua adesão ao Solidariedade do Walesa mas, como bom "materialista", desvalorizei o movimento polonês como "idealista", com um Walesa meio "pelego". E o tempo passou.

Depois da euforia inicial dos anos 90, vi que aquela esperança de entendimento político no mundo, capitaneado pelo Gorbatchev, fracassaria. Entendi isso quando vi o papai Bush falando no Kremlin, humilhando o Gorba, considerando-se "vitorioso", prenunciando as nuvens negras de hoje com seu filhinho no poder. Senti que o sonho de entendimento socialismo-capitalismo ia ser apenas o triunfo triste dos neo-conservadores. O mundo foi piorando e o Papa viajando, beijando pés, cantando com Roberto Carlos no Rio. Uma vez, ele declarou: "A Igreja Católica não é uma democracia". Fiquei horrorizado naquela época liberalizante e não liguei mais para o Papa "de direita".

Depois, o Papa ficou doente, há dez anos. E eu olhava cruelmente seus tremores, sua corcova crescente e, sem compaixão alguma, pensava que o Pontífice não queria "largar o osso" e ria, como um anticristo.

Até que, nos últimos dias, João Paulo II chegou à janela do Vaticano, tentou falar... e num esgar dolorido, trágico, foi fotografado em close, com a boca aberta, desesperado.

Essa foto é um marco, um símbolo forte, quase como as torres caindo em NY. Parece um prenúncio do Juízo final, um rosto do Apocalipse, a cara de nossa época. É aterrorizante ver o desespero do homem de Deus, do Infalível, do embaixador de Cristo. Naquele momento, Deus virou homem.

E, subitamente, entendi alguma coisa maior que sempre me escapara: aquele rosto retorcido era o choro de uma criança, um rosto infantil em prantos! O Papa tinha voltado a seu nascimento e sua vida se fechava. Ali estava o menino pobre , ex-ator, ex-operário, ali estavam as vítimas da guerra, os atacados pelo terror, ali estava sua imensa solidão igual à nossa. Então, ele morreu. E ontem, vendo os milhões chorando pelo mundo, vendo a praça cheia, entendi de repente sua obra, sua imensa importância. Vendo a cobertura da Globo, montando sua vida inteira, seus milhões de quilômetros viajados, da África às favelas do Nordeste, entendi o Papa. Emocionado, senti minha intensíssima solidão de ateu. Eu estava fora daquelas multidões imensas, eu não tinha nem a velha ideologia esfacelada, nem uma religião para crer, eu era um filho abandonado do racionalismo francês, eu era um órfão de pai e mãe. Aí, quem tremeu fui eu, com olhos cheios d'água. E vi que Karol Wojtyla, tachado superficialmente de "conservador", tinha sido muito mais que isso. Ele tinha batido em dois cravos: satisfez a reacionaríssima Cúria Romana implacável e cortesã e, além disso, botou o pé no mundo, fazendo o que italiano algum faria: rezar missa para negões na África e no Nordeste, levando seu corpo vivo como símbolo de uma espiritualidade perdida. O conjunto de sua obra foi muito além de ser contra ou a favor da camisinha. Papa não é para ficar discutindo questões episódicas. É muito mais que isso. Visitou o Chile de Pinochet e o Iraque de Saddam e, ao contrário de ser uma "adesão alienada", foi uma crítica muito mais alta, mostrando-se acima de sórdidas políticas seculares, levando consigo o Espírito, a ideia de Transcendência acima do mercantilismo e ditaduras. E foi tão "moderno" que usou a "mídia" sim, muito bem, como Madonna ou Pelé.

E nisso, criticou a Cúria por tabela, pois nenhum cardeal sairia do conforto dos palácios para beijar pé de mendigo na América Latina. João Paulo cumpriu seu destino de filósofo acima do mundo, que tanto precisa de grandeza e solidariedade.

Sou ateu, sozinho, condenado a não ter fé, mas vi que se há alguma coisa de que precisamos hoje é de uma nova ética, de um pensamento transcendental, de uma espiritualidade perdida. João Paulo na verdade deu um show de bola.

Arnaldo Jabor (O Globo 05/04/05)

Postado por þérolå, em 7:04 PM
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Domingo, Abril 10, 2005





Sábado de encontro com amigos.
Coisa mais gostosa!! Em plena tarde, vieram nos buscar
pra bater papo, tomar umas cervinhas e churrasquear.
Sempre o imprevisto é bem vindo!! E bom.
Hoje, dia de céu de brigadeiro e pernas de fora.
Uma semana cheia nos aguarda!
Carpe Diem
A gente se fala!

Postado por þérolå, em 12:30 PM
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Nossos velhos

Pais heróis e mães rainhas do lar. Passamos boa parte da nossa existência cultivando estes estereótipos. Até que um dia o pai herói começa a passar o tempo todo sentado, resmunga baixinho e puxa uns assuntos sem pé nem cabeça. A rainha do lar começa a ter dificuldade de concluir as frases e dá pra implicar com a empregada. O que papai e mamãe fizeram para caducar de uma hora para outra? Fizeram 80 anos. Nossos pais envelhecem. Ninguém havia nos preparado pra isso.
Um belo dia eles perdem o garbo, ficam mais vulneráveis e adquirem umas manias bobas. Estão cansados de cuidar dos outros e de servir de exemplo: agora chegou a vez de eles serem cuidados e mimados por nós, nem que pra isso recorram a uma chantagenzinha emocional.
Têm muita quilometragem rodada e sabem tudo, e o que não sabem eles inventam. Não fazem mais planos a longo prazo, agora dedicam-se a pequenas aventuras, como comer escondido tudo o que o médico proibiu. Estão com manchas na pele. Ficam tristes de repente. Mas não estão caducos: caducos ficam os filhos, que relutam em aceitar o ciclo da vida.
É complicado aceitar que nossos heróis e rainhas já não estão no controle da situação. Estão frágeis e um pouco esquecidos,
têm este direito, mas seguimos exigindo deles a energia de uma usina. Não admitimos suas fraquezas, seu desânimo.
Ficamos irritados se eles se atrapalham com o celular e ainda temos a cara-de-pau de corrigi-los quando usam expressões em desuso: calça de brim? frege?auto de praça? Em vez de aceitarmos com serenidade o fato de que as pessoas adotam um ritmo mais lento com o passar dos anos, simplesmente ficamos irritados por eles terem traído nossa confiança, a confiança de que seriam indestrutíveis como os super-heróis.
Provocamos discussões inúteis e os enervamos com nossa insistência para que tudo siga como sempre foi. Essa nossa intolerância só pode ser medo. Medo de perdê-los, e medo de perdermos a nós mesmos, medo de também deixarmos de ser lúcidos e joviais. É uma enrascada essa tal de passagem do tempo. Nos ensinam a tirar proveito de cada etapa da vida, mas é difícil aceitar as etapas dos outros, ainda mais quando os outros são papai e mamãe, nossos alicerces,aqueles para quem sempre podíamos voltar, e que agora estão dando sinais de que um dia irão partir sem nós.

(desconheco autoria)


Postado por þérolå, em 12:25 PM
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Antes do Dia Partir...

O que valeu a pena hoje?
Sempre tem alguma coisa. Um telefonema. Um filme...
Paulo Mendes Campos, em uma de suas crônicas reunidas no livro "O Amor Acaba", diz que devemos nos empenhar em não deixar o dia partir inutilmente. Eu tenho, há anos, isso como lema. É pieguice, mas antes de dormir, quando o dia que passou está dando o prefixo e saindo do ar, eu penso: o que valeu a pena hoje? Sempre tem alguma coisa.
Uma proposta de trabalho. Um telefonema. Um filme. Um corte de cabelo que deu certo.
Até uma briga pode ter sido útil, caso tenha iluminado o que andava escuro dentro da gente.
Já para algumas pessoas, ganhar o dia é ganhar mesmo: ganhar um aumento, ganhar na loteria, ganhar um pedido de casamento, ganhar uma licitação, ganhar uma partida.
Mas para quem valoriza apenas as megavitórias, sobram centenas de outros dias em que, aparentemente, nada acontece, e geralmente são essas pessoas que vivem dizendo que a vida não é boa, e seguem cultivando sua angústia existencial com carinho e uísque, mesmo já tendo seu superapartamento, sua bela esposa, seu carro do ano e um salário aditivado.
Nas últimas semanas, meus dias foram salvos por detalhes.
Uma segunda-feira valeu por um programa de rádio que fez um tributo aos Beatles e que me arrepiou, me transportou para uma época legal da vida, me fez querer dividir aquele momento com pessoas que são importantes pra mim.
Na terça, meu dia não foi em vão porque uma pessoa que amo muito recebeu um diagnóstico positivo de uma doença que poderia ser mais séria.
Na quarta, o dia foi ganho porque o aluno de uma escola me pediu para tirar uma foto com ele.
Na quinta, uma amiga que eu não via há meses ligou me convidando para almoçar.
Na sexta, o dia não partiu inutilmente, só por causa de um cachorro-quente.
E assim correm os dias, presenteando a gente com uma música, um crepúsculo, um instante especial que acaba compensando 24 horas banais.
Claro que tem dias que não servem pra nada, dias em que ninguém nos surpreende, o trabalho não rende e as horas se arrastam melancólicas, sem falar naqueles dias em que tudo dá errado: batemos o carro, perdemos um cliente e o encontro da noite é desmarcado.
Pois estou pra dizer que até a tristeza pode tornar um dia especial, só que não ficaremos sabendo disso na hora, e sim lá adiante, naquele lugar chamado futuro, onde tudo se justifica.
É muita condescendência com o cotidiano, eu sei, mas não deixar o dia de hoje partir inutilmente é o único meio de a gente aguardar com entusiasmo o dia de amanhã...

Martha Medeiros

Postado por þérolå, em 12:12 PM
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